Bom, hoje encerro minha semana de escritura (mas volto já!) e posso dizer-lhes que a experiência foi feliz, transformadora e inquietante. No meu primeiro post propus um novo olhar, um novo olhar sobre as coisas, sobre o que nos circunda e, principalmente, sobre nós mesmos.
Creio que tudo que tentei olhar ou perceber de forma diferente, muito revela sobre mim, sobre minha personalidade, sobre meus gostos, sobre minhas (in)diferenças, sobre minhas dores e sobre meus anseios. Falei sobre olhar, encontrar, recordar, dançar, sonhar e agora conto-lhes sobre chorar...
Hoje foi um dia doloroso, fisicamente e espiritualmente, e assim só pude pensar num mantra-oração-canção que me acompanha desde o momento que precisei superar o maior luto vivido da minha vida (sim! um luto vivido da vida! com figuras de linguagem e tudo).
"Milágrimas" é uma poesia de Alice Ruiz, musicada por Itamar Assumpção, que descobri pela voz doce de uma amiga e que desde então me acalenta a alma quando diz:
"Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa, coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas, viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal, do sal, do sal, do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre"
Amanhã cortarei o cabelo....
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