Perceber algo diferente hoje foi um pouco difícil, até pensei que havia fechado os olhos todo o dia e me conduzido no piloto automático, pode até ter sido, pois os afazeres diários tomaram conta de mim de uma tal maneira que só pude manter os olhos vidrados no verde do semáforo; mas que bom que foram só os olhos físicos... pois os da alma, em algum momento e com ajuda das minhas companheiras de blog, se despertaram.
Hoje, era um dia bem esperado, pois havia marcado de tomar café com uma grande amiga em uma quitanda que eu adoro (e tem pamonha e bolo caçarola!!!). Chego toda desengonçada pela correria do dia, mas ela... ela chega destroçada pelas dores da alma, as quais também têm me afligido muito, mas naquele momento soube que as minhas haviam se retirado e eu precisava carregar um pouco daquela dor em meus braços, dor essa que sofre por esperar muito do outro (e sobre esperar muito das pessoas, uma sábia amiga me disse horas depois ao telefone: "enquanto a gente não resolve muitas coisas que estão dentro da gente, a gente fica protelando para o outro").
Sempre achei que podemos contribuir incrivelmente na vida do outro, seja essa tal alteridade nosso amigo, nossa namorada, nossa mãe, nosso marido, nosso irmão ou aquele que nem ao menos conhecemos. Nos empenhamos, nos doamos, nos refazemos no outro, mas esperar às vezes pode ser um equívoco, esperar o que o outro não pode dar é um ato egocêntrico, porque queremos o que damos, mas quantas vezes nos perguntamos se a pessoa pode doar exatamente aquilo que desejamos, talvez ela não tenha estrutura para isso, às vezes não sabe o que queremos porque não dissemos ou porque não demos um bom exemplo.
E isso muito tem a ver com a projeção que fazemos no outro, como se ele fosse inteiramente responsável pelos nossos momentos felizes e tristes, ou seja, protelamos para o outro o que é nosso, inteiramente nosso, pois não há felicidade ou desilusão no outro... nós somos inteiramente auto responsáveis por nossas escolhas, e podemos escolher não viver do outro e para o outro. Só assim poderemos reverberar o famoso "dar e ..." viver!!! E tenho certeza que quando damos o nosso melhor: a nossa melhor gargalhada, o nosso melhor pensamento, a nossa melhor intenção, receberemos seja do outro, seja do universo.
Isto é, plante a sua melhor semente e colha o seu melhor fruto, aquele que só os travesseiros colherão de noite, a consciência tranquila. E se por acaso achar que está recebendo pouco, muito pouco, quase nada... dê passagem à escolha de não ter que receber do outro.
Isto é, plante a sua melhor semente e colha o seu melhor fruto, aquele que só os travesseiros colherão de noite, a consciência tranquila. E se por acaso achar que está recebendo pouco, muito pouco, quase nada... dê passagem à escolha de não ter que receber do outro.
A matemática é simples, tautológica e é cantada: "cada uno da lo que recibe, y luego recibe lo que da".
Com isso quero aprender não exigir do outro o que não é responsabilidade dele, sobre a responsabilidade desse outro só ele atua... Sobre a minha, tenho seguido minha consciência!
Gente, que texto maravilhoso!
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