Quando aceitamos abrir nossos
olhos para ver a beleza das coisas (des)interessantes do dia a dia e ver (como
disse Marol no seu primeiro post) as maravilhas do cotidiano, exige-nos, em alguma
medida, uma mudança.
Mudar é difícil. Ou porque não
queremos mudar ou porque ter que fazer algo diferente do que estamos
acostumados pede um esforço e disciplina para que a alteração seja feita. Para
fazer as minhas crônicas sobre a vida (assim que vou chamar meus textos) tive
que fazer algumas mudanças. Nunca gostei muito da rotina, tento quebra-la sempre
que possível e, pode não parecer, mas sou uma mulher observadora e pensativa,
assim, achar algo diferente, novo ou curioso no meu dia para trazer aqui para o
blog não vai ser muito difícil. Desta forma, a grande mudança é a disciplina e
preencher a página em branco com palavras que produzam algum significado.
Mudar, além do próprio significado da
palavra, é um verbo tanto transitivo quanto intransitivo, por isso brinquei com
o fato de ser 'cambiante'. Quando algo muda em nossas vidas, parece que tudo é
novo, ficamos mais sensíveis para perceber as transformações ao nosso redor. Só cambiar não é o suficiente, temos que aceitar a mudança. Digo isso, porque eu
estou num período de términos e começos e me parece um tanto complexo
compreender as modificações das pessoas ao meu lado inclusive as minhas. É nas
fases de transição que fazemos uma avaliação profunda sobre nós, nossos
valores, qual caminho queremos seguir e são nessas doses filosóficas diárias
que vamos nos transformando em quem somos. São nessas reflexões que alteramos
os rumos das nossas vidas, e eu sou do time que segura as rédeas da minha vida,
não dou esse cargo para ninguém pois não quero ser coadjuvante na minha própria
vida.
Hoje, na tentativa de montar a
instalação que é a minha vida fui desmontar meu guarda roupa e me livrar de
tudo aquilo que não serve (porque eu engordei, porque não faz meu estilo mais,
sempre tem aquela camiseta que você ganhou e nunca usou, ou porque eu mudei). Até
roupa rasgada eu achei, fiquei meio triste em ter que tirar aquele vestido da
minha vida, pois ele tinha um valor afetivo. Mas hoje eu uso ‘M’, ele se tornou
um ‘P’ rasgado. Neste momento, a música do Belchior nunca coube tão bem ‘No presente a mente e o corpo é diferente e
o passado é uma roupa que não nos serve mais’.
E assim se foram três sacolas com
roupas, bijuterias e sapatos que minha mãe já tem endereço certo para doar. De
fato, quando mudamos, transformamos o que está ao redor. Mudar é um fator que
nos torna vivo e eu mudei concordando com o Raul, que também prefere ser uma metamorfose ambulante.
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