quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sapatos virtuais

Hoje eu vi uma cena no shopping que me despertou um sentimento ambíguo.

Enquanto eu apreciava um cappuccino com doce de leite, passou um pai olhando fixamente no celular, segurando a mão do seu filho pequeno. O menino perdeu um sapato e chamou a atenção do pai três vezes, até que ele parou de olhar o celular e viu que o sapato do filho estava lá atrás e eles voltaram para pegar.

No início eu achei engraçadinho. Minha colega logo disse: ‘os problemas da modernidade’. Depois que ela chamou minha atenção para isso, parei para pensar em como eu estava me relacionando com os aparatos tecnológicos.

É um caminho sem volta. É inevitável, a cyber cultura e o cyber espaço fazem parte da nossa vida e nós temos que lidar com isso. Até para uma entrevista de emprego nossas redes sociais são avaliadas. Fale-se muito sobre fazer desintoxicação do mundo virtual que está cada vez mais presente no dia a dia, hoje existe até o tempo exato que se deve passar navegando na internet e existem aplicativos para regular o tempo que você utiliza suas redes sociais. Acho isso engraçado também, porque isso é algo difícil de generalizar já que o tempo é uma entidade relativa.  


 É legal curtir as ideias dos outros, compartilhar conteúdos interessantes e postar o que estamos pensando. Entretanto, a vida não pode girar em torno disso. A pergunta que fica é ‘ficamos tanto na frente de computadores, smartphones, tablets, que as vezes não percebemos o que acontece do nosso lado’? Essa pergunta eu já respondi. A questão é sempre o modo como vamos utilizar esses aparatos e achar a dosagem certa entre o a realidade virtual e a realidade. 

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