Toda quarta-feira eu acordo bem
animada, porque é o dia da minha aula de costura. Sim, eu faço aulas de costura
há quase um ano e amo! Quando digo que gosto de costurar metade das pessoas ficam
admiradas e até admitem que gostariam de aprender a fazer suas próprias roupas
e a outra metade me olha como se eu fosso um ser de outro planeta... não me
importo, afinal, fazer o que todo faz e gostar do que todo mundo gosta nunca
foi o meu forte.
Mas falando sobre costurar, essa
atividade semanal tem me ensinado algumas lições ao longo desses meses. No
início eu chegava em minhas aulas portando um arsenal de guerra, vários
tecidos, revistas, aviamentos e até um caderno com croquis que eu mesma
desenhava. Queria fazer um guarda-roupas completo em apenas três horinhas de
aulas, míseras quatro aulas por mês. Eu tinha planos para fazer roupas em
série, vários modelos, várias cores, muitas peças e todas feitas por mim com
amor (eu julgava ser com amor...). Tenho certeza que a professora me olhava com
pena e previa que minha ficha cairia um dia, podia demorar, mas um dia ela
cairia. E caiu. Percebi que com aquele entusiasmo todo eu não iria aprender a
costurar (com amor), eu montaria uma oficina chinesa de trabalho escravo.
Costurar com amor é outra coisa e
requer muito mais do paciência e dedicação. É preciso ter consciência e estar
de corpo, alma e coração. Só assim podemos aprender de verdade e fazer o amor
durar, porque vida costureira não é fácil!
Costurar é um processo minucioso onde
é possível perceber a importância de cada etapa para então se deliciar com a
sensação de costurar o “vestido mais lindo do mundo”! É necessário planejar todos
os detalhes do feitio: tirar as medidas,
modelar, riscar em papel, cortar o tecido, costurar (desfazer muitas vezes) e passar
a ferro. Passar a ferro é importantíssimo! O vestido não fica pronto até você
usar um ferro bem quente, tirando todas os amarrotados e pequenas imperfeições.
O calor deixa tudo impecável, como na vida. Rubem Alves mesmo disse sabiamente que
“...a transformação só acontece pelo
poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de
pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente”.
Costurar me fez muito bem e tem
me ensinado a cada aula que é preciso respeitar o tempo de cada etapa,
inclusive na vida e que é preciso fazer as tarefas com c(alma), para fazer bem
feito. Ah! E o mais importante, que o acabamento, o toque final da costureira,
faz o coração de quem usa uma peça costurada com amor bater mais forte, o
importante não é terminar uma peça, é terminar o “vestido mais lindo do mundo”!
Hoje sei que estou costurando com
amor e com muita vontade de ser uma pessoa melhor, não melhor do que ninguém,
mas melhor para o mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário