segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Nas nuvens

Hoje eu estava navegando pelo Instagram e me deparei com o perfil de um artista plástico que me chamou a atenção, tanto pela qualidade de seus trabalhos, quanto pela descrição de seu perfil.
Os trabalhos postados são primorosos! Aquarelas, desenhos feitos à carvão e outras técnicas plásticas produzindo obras únicas, que encantam quem as contemplam pela sensibilidade do traço e pela maestria no uso das cores.
Nessa galeria virtual, um pássaro aquarelado prendeu meu olhar por alguns instantes, a mistura de cores e os pequenos detalhes gentilmente retratados fazem com que a imagem salte da tela e, na imaginação de quem a vê, crie asas e voe pelos jardins dos sonhos, nas nuvens, fazendo referência à descrição do perfil do artista, que se apresenta como um nefelibata.
Essa palavra tão áspera, que para mim, tem uma dureza própria de sua pronuncia, se contrapõe ao seu significado poético, leve e onírico:

nefelibata
ne.fe.li.ba.ta
adj e s m+f (gr nephéle+bates) 1 Que, ou pessoa que anda ou vive nas nuvens. 2 Que, ou literatos que são excêntricos, que desconhecem ou desprezam os processos conhecidos e o bom senso literário. 3 pej Que, ou pessoa que, dominada por um suposto ideal, não atende aos fatos da vida positiva nem às lições da experiência.

As nuvens são elementos presentes tanto em contos de fadas, quanto na alegoria religiosa própria do que é santo e divino, ambos alimentam de alguma forma a sede dos que são sensíveis às coisas que não se pode ver ou tocar. Os artistas se deixam conduzir pelo seu movimento e produzem obras primas, é das nuvens vem a sua inspiração; os religiosos creem que é de lá que vem o sopro Divino e é lá o lugar seguro e que abriga todos os seres de coração puro.
Tudo isso me fez refletir sobre a minha natureza nefelibata. Muitas e muitas vezes me pego sobrevoando outras terras, navegando em outros mares, até que o cordão que ainda me segura em terra firme me faz voltar ao meu lugar de origem (ou pelo menos onde construí minha morada). Aqui tenho pouso, tenho fortaleza, mas é nas nuvens que encontro combustível criativo e alimento a minha fé.
Acho que descobri uma nova descendência da qual faço parte, mas que até então não tinha conhecimento. Sou uma nefelibata.

Um comentário:

  1. Amelinha, depois você tem que me ensinar a falar essa palavra hahaha Adorei

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