sábado, 23 de janeiro de 2016

Onde as chaves cabem?





Num passeio por estas terras do Triângulo Mineiro, na nossa irmã vizinha Uberaba, terra boa, embora não da garoa, de casarões e igrejas impecáveis, encontro um elemento da arquitetura que exerce um fascínio indescritível sobre mim: a porta. Primeiro uma, depois duas e logo mais uma.
Três portas que me chamaram a atenção pela mesma razão: eu não podia entrar no lugar que elas encerravam. Mas devo dizer que muito me encantam portas fechadas, dessas que  a gente vê por aí majestosas, silenciosas e intactas. Gosto porque me fazem pensar: quem as atravessa? que histórias contam? que lágrimas escondem? que alegrias compartilham? que chaves as abrem? quem as bate?
Creio que por uma porta só se pode entrar memórias, afetos e histórias.
Pelas cores complementares, azul e amarelo, creio que atravessaram promessas, joelhos e preces.
Pelo duro e ornamentado ferro, cânticos e anjos.
E pelo verde desbotado e ensimesmado, grandes festas, lindas moças, crianças correndo e um altivo senhor.
Pode até ser que eu um dia as abra, mas a sensação de não ter as chaves, diz qualquer coisa a respeito sobre seguir sonhando e me perguntando onde as chaves cabem?



"eu tenho a casa mas não sei a porta
eu sei a porta mas não tenho a chave
eu tenho a chave mas não sei aonde
essa chave cabe"
(A Chave, Paulo Leminski)

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