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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mulher forte - Parte 2



Sonhos




Ter um sonho, um sonho lindo,

Noite branda de luar,

Que se sonhasse a sorrir...
Que se sonhasse a chorar...

Ter um sonho, que nos fosse
A vida, a luz, o alento,
Que a sonhar beijasse doce
A nossa boca... um lamento...

Ser pra nós o guia, o norte,
Na vida o único trilho;
E depois ver vir a morte

Despedaçar esses laços!...
...É pior que ter um filho
Que nos morresse nos braços!


Florbela Espanca 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sonhos de um Imperador

Quando criança eu adorava estudar e minhas matérias preferidas eram literatura e história. E esse gosto pelos versos e pelo modus vivendi de outrora ainda me fascina e visitar cidades históricas para mim é um passeio incrível, andar por ruas antigas alimenta minha imaginação de tal forma que fico pensando em tudo que vi por dias e dias, nas fachadas das casas, nas ruas e em como era a vida antigamente.
Visitei Petrópolis nessas férias. A cidade não é lá essas coisas, Ouro Preto é muito mais conservada, mas o Museu Imperial e algumas ruas do centro histórico me fizeram viajar.
O Museu Imperial está instalado no antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II, e como contam por ali, era sua residência favorita de verão. Trata-se de um prédio em estilo neoclássico cercado de um jardim majestoso, andar nesse jardim com os olhos do coração abertos é como reviver a época do Império e conhecer um pouco mais sobre os gostos de Pedro IIEsse palácio humilde, se comparado aos demais reinos do velho mundo, foi cenário de grandes feitos da história do nosso Brasil, mas foi palco de muita coisa que não foi contada, afinal, uma família viveu ali. 
E foi nessa atmosfera de volta ao passado que assisti ao espetáculo Som e Luz, uma maravilhosa apresentação de iluminação e sonorização que transporta os expectadores para o Brasil Imperial, que narra além do glamour da coroa, a trajetória do Império com foco na figura do Imperador e da Princesa Isabel como pessoas comuns, de carne, osso e sentimentos, e foi assim que eu os vi durante o espetáculo. 
Enquanto a narração me guiava pelo jardim, simulando a subida da serra para chegar à Petrópolis, o caminho a ser percorrido esta todo iluminado, cheio de magia, e eu me senti como se estivesse sido realmente convidada para a festa. Ao chegar  na frente do Palácio, ele estava todo iluminado, como se estivesse realmente pronto para a festa. Inclusive, é possível ver, através das janelas, as silhuetas de Dom Pedro II e seus convidados. Era como se todos estivessem lá de fato, toda a família real e a corte brasileira.
Logo em seguida, uma nova surpresa, uma cortina d'água, posicionada no lado oposto à fachada do palácio, transformou-se em uma tela em que foram projetadas cenas da história do Brasil Imperial, de fofocas entre duquesas e condessas às questões mais perturbadoras e crises pelas quais o Imperador passou durante sua vida. 
Foi uma experiência maravilhosa e confesso que me emocionei muito frente à um Dom Pedro II que meus professores de história não me mostraram, um homem que foi obrigado a amadurecer antes do tempo, que se casou com alguém que não conhecia, como muitos homens daquela época, e que tinha um grande amor por esta terra que o pertenceu. Apesar de todos os elementos nada nobres de uma monarquia, o Imperador que me foi apresentado nesta noite conseguiu tocar minha imaginação e eu tive pena de sua vida cheia de protocolos, rótulos e dores e, porque não, sonhos... 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No balanço dos dias

Eu adoro os textos da Martha Medeiros, ela escreve coisas tão simples, mas tão sinceras. Me identifico muito com seus textos, claro que não em tudo, mas grande parte de suas reflexões parecem narrar a vida da maioria das mulheres, inclusive a minha. Ela escreve sobre nossos medos e inseguranças (que parzinho inconveniente!), nossas experiências e, principalmente, sobre a forma de enxergarmos o mudo.
Hoje li um poema dela que dizia: "Sou uma mulher madura que às vezes brinca de balanço / sou uma criança insegura que às vezes anda de salto alto". Me identifico totalmente com esses versos. Ah, e só para deixar claro, mulher madura no bom sentido, afinal só tenho trinta e poucos aninhos, mas que já me dão uma certa autoridade para falar sobre o verbo viver. 
E que verbo! Sua conjugação é muito complexa, requer muita disciplina e vontade de conjugá-lo e, digo mais, conjugar esse verbo sem vontade é como cometer um lento suicídio. Afinal de contas, suicídio é desistir de viver.
Mas voltando ao poema, uma mulher madura que às vezes brinca de balanço... essa sou eu. Mas eu retiraria a expressão às vezes. Prefiro brincar de balanço sempre! Fechar meus olhos e me deixar levar no balanço dos dias, das horas, sonhando com meus planos e sonhos... Mas, nesse momento vem a segunda estrofe: sou uma criança insegura que ás vezes anda de salto alto. E não só insegura. Tímida, medrosa e muitas vezes omissa. 
Sei que posso fazer melhor, mas é tão difícil falar quando é mais confortável (ou menos arriscado) ficar em silêncio. E nessa situação os planos feitos em silêncio não são compartilhados e podem ser esquecidos…
Mas uma coisa é certa: Deus estará ao meu lado no sucesso ou no fracasso e, aconteça o que acontecer, o balanço ainda vai estar lá e o verbo ainda tem muito a ser conjugado.
Tenho muito a dizer, mas por enquanto eu eu prefiro voltar ao meu balanço e continuar sonhando...