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terça-feira, 29 de março de 2016

Envelhecer é viver

Assisti a um filme muito interessante hoje. A história é bem parecida com muitas outras do cinema e da vida de muita gente que conhecemos, em que pessoas com a vida "estruturada", ou julgam estar, tem a tarefa de reconstruí-la depois de um golpe. Nesse filme um professor, que já está na casa dos trinta, leva um fora da esposa percebe o quão difícil é aceitar a vida como ela é e se refugia em algumas ilusões, mas depois muitas desventuras ele encontra o amor em alguém que estava sempre ali, que o observava de longe e que nunca teve coragem de dizer o que sentia. Até aí nada muito diferente, não é mesmo? 
Mas o que chamou minha atenção foi uma das últimas cenas, onde eles se imaginam na velhice e a mocinha da história se descreveu de uma forma tão linda e delicada que ameniza todo e qualquer medo de envelhecer. Ela se descreve como uma velhinha e cabelos longos e brancos, com uma casa pequena e aconchegante, perto de um lago... E suavemente ela diz: "envelhecer deve ser bem legal...". 
Envelhecer é viver. E viver é bem legal mesmo!
De vez em quando eu tenho algumas paranoias sobre isso. Sobre o que eu não fiz, mas que deveria ter feito na minha idade. Deveria? Onde está escrito isso? Em lugar nenhuma, mas todos nós temos um cronograma invisível na cabeça e ele foi escrito por pessoas que se sentiam confortáveis fazendo o que todo mundo faz, afinal é mais fácil seguir por uma estrada pavimentada a desbravar o próprio caminho. 
E não sou do tipo que se aventura muito mesmo, mas estou longe de ser e fazer o que a maioria faz. Me identifico com poucos em hábitos e forma de pensar, mas no agir, sou igual a maioria: penso muito, acho que faço pouco, estou sempre querendo ser diferente e me aproximar do que sou na essência. Acho que entre o querer e o fazer, meu salto é positivo, tenho conquistado o respeito de muitos que não entendiam esse meu jeito. 
E assim vou vivendo, envelhecendo (fato!) e colhendo os meus frutos e arrancando ervas daninhas. Assim é a vida. 

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. 
Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."
Cora Coralina

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Mulher forte - Parte 1

Assim eu vejo a vida


A vida tem duas faces:

Positiva e negativa

O passado foi duro

mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O mal não existe


"(...) Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! (...)"
Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Continue a nadar

É da minha natureza pensar demais. Pensar muito na vida, nos outros, em como os outros reagem às coisas da vida, em como eu percebo os sinais da vida, na vida, na vida... É, alguns dizem que tem a ver com o meu signo, peixes, outros já acham que o fato de ser filha única influenciou nessa minha personalidade. Não sei quem tem razão, mas o que importa é que sou feliz assim e fico feliz por ter consciência do meu mundo e da minha responsabilidade frente à ele. 

E em meio aos meus pensamentos, me vejo habitando um mundo que vai mal. Os noticiários nos mostram isso a todo mundo, a expressão de dor das pessoas na rua também, cada uma à sua maneira, dores do corpo, dores na alma, dores no coração. Mas mesmo cercada por tudo isso e, com minhas próprias dores, que graças à Deus, são toleráveis e ouso dizer, insignificantes, sigo com muita fé e acreditando que veremos dias melhores. 

E se tem uma música que toca o meu coração e fala com delicadeza sobre os dissabores, mas sobretudo sobre não desistir é Al otro lado del rio do uruguaio Jorge Drexler:

Clavo mi remo en el agua 
Llevo tu remo en el mío 
Creo que he visto una luz al otro lado del río

El día le irá pudiendo poco a poco al frío 
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido 
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro 
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío 
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua 
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río



Ou como cantaria Dori, uma célebre "peixinha" de Procurando Nemo: "Continue a nadar, continue a nadar...".

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Equilibrando pratos

Demorou mas voltei! Da última vez que eu escrevi eu estava prestes a sair de férias e hoje, três semanas depois, estou aqui prestes à voltar ao trabalho. O que posso dizer sobre isso? Nadinha, apenas que a vida segue e que tudo tem seu tempo. Descansei bastante, viajei, vi muitas coisas legais por aí, outras nem tanto, vivi bons momentos e agora estou pronta para retornar à minha rotina, afinal a vida não está fácil para ninguém...
Parece que foi ontem que escutei Boas férias, Amelinha!, mas já está quase acabando e posso dizer que aproveitei cada minuto desse tempo que tirei para desligar os meus pensamentos e realinhar minhas vértebras. E todos os planos de arrumação de gavetas e limpeza de guarda-roupas se foram de verdade, não fiz nada, absolutamente nada em casa e curti um ócio criativo da melhor qualidade: Assisti vários filmes, li alguns livros e textos, escutei música (fazia tempo que eu não curtia uma playlist a la Coisas da Amelinha) e isso foi muito bom... 
Apesar de saber que não sou e (acho que nunca serei uma madame) e que jamais poderia viver uma vida de total Ócio Criativo em todas as tardes dessa vida, o que posso fazer é aproveitar melhor os meus momentos de lazer e equilibrar melhor os pratos dançantes da vida louca que levamos atualmente.
É tanta informação que enquanto estamos descansando, estamos ao mesmo tempo, checando e-mails, conversando com os amigos, assistindo o seriado preferido e tentando relaxar... Infelizmente são tarefas nada complementares e o que precisamos é escolher que pratos serão quebrados nessa dança. 
De vez em quando um pratinho de vidro da organização da casa cai, outro pratinho de cerâmica barata das interações virtuais se espatifa, mas os pratos mais valiosos desse balé, aqueles mais delicados e valiosos que representam nossa saúde, nossa família, amigos verdadeiros e nossa conexão com o Deus, esses não podem cair. De vez em quando eles até dançam em um ritmo diferente e podem até quase case cair, quase, mas não vão cair. Nunca vão cair. 
E depois desses dias de descanso, ouso dizer que eu preciso que o prato da minha sanidade, uma louça delicada e também muito preciosa, continue dançando, assim como os pratos da minha espiritualidade, da minha família e amigos. Para todo o resto, damos um jeitinho e seguimos nessa dança. 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Qual o tamanho da sua mente?

Me lembrei hoje de uma frase, atribuída ao Einstein, que diz mais ou menos assim: uma mente que se abre para uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original. É uma frase interessante, mas pensando bem, acho que existem mentes de todos os tamanhos, algumas podem se alargar e preencher-se do novo, outras são grandes o suficiente para buscar novos horizontes a cada dia, mas existem também as pequenas, rígidas e haja o que houver, não conseguem abrir espaço para o novo. 
Mentes grandes e infladas são insaciáveis! Fazem de seus portadores seres insuportáveis que julgam estar além de tudo e de todos. E estão sempre buscando o sucesso, o destaque, o pódio. Elas querem brilhar e buscam esse brilho a todo custo, podendo inclusive ofuscar de propósito quem estiver por perto. 
Mentes pequenas e rígidas, ao contrário das mentes infladas, pensam que estão abaixo de qualquer parâmetro. Querem e tem o suficiente e quando alguém sugere uma nova experiência, a resposta é sempre a mesma: "isso não é para mim" ou "eu já faço desse jeito há tanto tempo..." 
Para alegria geral da nação mentes  pequenas, mas elásticas, expansíveis, estão conquistando seu espaço. Elas conseguem tirar o melhor do pior e buscam novas experiências com um único objetivo: a evolução. Evoluir como pessoa, como profissional, acumular conhecimento e memórias. Para elas o ser é muito, mas muito, mais importante que o ter.  
É preciso respeitar as diferenças, mas não se acomode! Se sua mente estiver inflada, estoure essa bolha, você vai se surpreender com o que existe à sua volta! Agora, se estiver muito pequena, endurecida, olhe à sua volta, perceba o quanto o mundo é grande e cheio de possibilidades.
Mas se você tem uma mente pequena, mas elástica, parabéns! Continue sua coleção de memórias e experiências, a vida é uma viagem deliciosa e a bagagem precisa ser leve e cheia de amor. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Depois da tempestade

Acho que estou de TPF. Sim, TPF. TENSÃO PRÉ FÉRIAS.
Apesar de estar muito feliz, pois terei três maravilhosas semanas para descansar e fazer muitas e muitas coisas sem compromisso com o meu relógio, mas totalmente comprometida com a minha felicidade, nos últimos dias estou totalmente sobrecarregada.
Isso me faz pensar em um ditado popular bem conhecido: Depois da tempestade vem sempre a bonança. Será mesmo?
Para mim, depois da bonança também pode vir a tempestade. A vida é um ciclo, uma alternância entre altos e baixos e a linearidade cotidiana muitas vezes produz desinteresse pela vida. Então, a bonança e a tempestade podem nos ajudar a valorizar verdadeiramente a vida. Apreciar os bons momentos fazem com que nossa vida seja preenchida de boas recordações e os momentos difíceis também merecem atenção, por mais que as lembranças não sejam tão agradáveis, produzem lições valiosas e é por meio das tempestades que aprendemos a reconhecer a bonança do dia a dia, como o amanhecer, o bate papo entre amigos ou coração saltitante frente aos bens mais preciosos, quem amamos.
Bom, acho que o “F” da minha TPF não é sobre as férias, mas sobre a minha FELICIDADE. Os dias ruins podem vir, mas a certeza de dias maravilhosos nos embala e conduz ao melhor que o futuro nos reserva.

Todo dia uma nova esperança, uma nova alegria e, talvez, um novo aprendizado. E assim, vamos vivendo...