Sei que minha parceira de blog e querida amiga Lú, já escreveu sobre esse tema tão pertinente e urgente na nossa sociedade, porém não me eximindo da repetição e evitando o caráter doutrinário do tema, volto nesse assunto partindo de uma conversa com um casal de amigos, na qual constatamos que todos estão procurando por uma mudança.
Assim aumenta o consumo de alimentos orgânicos, uns se dizem vegetarianos, outros são fitness, alguns são adeptos do budismo, outros defendem a ecologia, uns viajam o mundo, outros deixam postos milionários em busca de sossego, muitos praticam yoga, outros tai-chi, alguns se tornam voluntários, outros comunitários... enfim, mudanças que eu admiro e creio ser essenciais, mas a questão é: quantos praticam a mudança legítima?
Aquela mudança que não desiste em nenhum momento, aquela que não hesita em ser sincera e fazer de cada dia um objetivo cumprido, aquela que pode inclusive mudar de ideia, mas muda. Aquela mudança que não titubeia, que não se faz somente nos templos, nas ruas ou nas academias, mas se pratica em casa, com o seu pensamento solitário, com sua quietude, com suas vontades, no seu íntimo... Pois para mim, MUDAR é silenciar, silenciar sua voz, seus preconceitos, seus julgamentos, suas indisposições... Aceitar que você só pode mudar a si mesmo, e portanto para que você mude, não precisa que sua religião ganhe o seu amigo de adepto, ou que a maneira que você coma seja a mais saudável. Mude o que não é bom pra você e tenha em mente que sua mudança pode ser um presente para o mundo, mas nunca se tratará de que o mundo tenha que mudar... Só basta que você MUDE!!!
Na minha busca diária pela mudança (que creio não ser legítima ainda), encontrei na página de um escritor, que pouco conheço, mas muito admiro, Mia Couto; um poema, de um autor que desconheço, Edson Marques. Nesse, ele diz:
"Mude
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.O novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!"
Hoje sentei em uma cadeira diferente, do outro lado da mesa, para jantar!! E é assim que penso, todo dia, verdadeiramente MUDAR...