segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Caminhando

De volta às novidades de todo santo dia, venho contar-lhes uma novidade em minha vida... Entre apertos e desesperos, tive que buscar outra sobrevivência financeira. Uma decisão sensata, acertada e muito, mas muito pensada, talvez algo que eu esteja pensando há uns 4 anos... 
Tenho um sonho: fazer o que eu gosto, e não é que eu não goste do que faça agora, pois me descobri PROFESSORA, só quero mudar o conteúdo a aprender antes de ensinar, para isso preciso estudar, me aprimorar e buscar outros caminhos. E foi num momento de crise global, que a vida me levou a buscá-los, assim tenho mais tempo livre, posso estudar, me aprimorar, perseguir aquilo que realmente creio que me fará mais feliz.
CREIO... pode ser que não dê certo... mas eu sou uma pessoa de voltas, meia volta vamos dar se for necessário, mas tenho que dar o primeiro passo, mesmo que o caminho seja tortuoso, ou que haja pedras, dificuldades, atalhos, é preciso tentar, pois pode haver árvores de grandes copas, bons frutos, refrescantes riachos e lindas paisagens... Mas para caminhar é preciso andar, e estou andando, tentando novas direções, buscando desvios que me façam chegar um pouco mais perto do quero. Assim busquei um novo ofício e encontrei uma nova estrada... se estou feliz? sim! Se é por dinheiro?, ainda sim, mas para que um dia não seja mais e assim compartilho do poeta espanhol Antonio Machado, o seguinte verso:
"Caminante, no hay camino.
Se hace camino al andar."
Já andei por muitos lugares louváveis e que são grandes responsáveis por quem eu sou hoje, mas agora decidi abandonar alguns deles para buscar quem serei amanhã...




domingo, 28 de fevereiro de 2016

Mulher forte - Parte 3

É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada: 

nem a torneira aberta nem o fogo aceso, 

nem o sorriso para os infelizes 
nem a oração de cada instante. 

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta 

nem o céu de sempre. 

O que é preciso é esquecer o nosso rosto, 

o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. 

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, 

a idéia de recompensa e de glória. 

O que é preciso é ser como se já não fôssemos, 

vigiados pelos próprios olhos 

severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles  
 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mulher forte - Parte 2



Sonhos




Ter um sonho, um sonho lindo,

Noite branda de luar,

Que se sonhasse a sorrir...
Que se sonhasse a chorar...

Ter um sonho, que nos fosse
A vida, a luz, o alento,
Que a sonhar beijasse doce
A nossa boca... um lamento...

Ser pra nós o guia, o norte,
Na vida o único trilho;
E depois ver vir a morte

Despedaçar esses laços!...
...É pior que ter um filho
Que nos morresse nos braços!


Florbela Espanca 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Mulher forte - Parte 1

Assim eu vejo a vida


A vida tem duas faces:

Positiva e negativa

O passado foi duro

mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O mal não existe


"(...) Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! (...)"
Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Continue a nadar

É da minha natureza pensar demais. Pensar muito na vida, nos outros, em como os outros reagem às coisas da vida, em como eu percebo os sinais da vida, na vida, na vida... É, alguns dizem que tem a ver com o meu signo, peixes, outros já acham que o fato de ser filha única influenciou nessa minha personalidade. Não sei quem tem razão, mas o que importa é que sou feliz assim e fico feliz por ter consciência do meu mundo e da minha responsabilidade frente à ele. 

E em meio aos meus pensamentos, me vejo habitando um mundo que vai mal. Os noticiários nos mostram isso a todo mundo, a expressão de dor das pessoas na rua também, cada uma à sua maneira, dores do corpo, dores na alma, dores no coração. Mas mesmo cercada por tudo isso e, com minhas próprias dores, que graças à Deus, são toleráveis e ouso dizer, insignificantes, sigo com muita fé e acreditando que veremos dias melhores. 

E se tem uma música que toca o meu coração e fala com delicadeza sobre os dissabores, mas sobretudo sobre não desistir é Al otro lado del rio do uruguaio Jorge Drexler:

Clavo mi remo en el agua 
Llevo tu remo en el mío 
Creo que he visto una luz al otro lado del río

El día le irá pudiendo poco a poco al frío 
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido 
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro 
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío 
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua 
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río



Ou como cantaria Dori, uma célebre "peixinha" de Procurando Nemo: "Continue a nadar, continue a nadar...".

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sonhos de um Imperador

Quando criança eu adorava estudar e minhas matérias preferidas eram literatura e história. E esse gosto pelos versos e pelo modus vivendi de outrora ainda me fascina e visitar cidades históricas para mim é um passeio incrível, andar por ruas antigas alimenta minha imaginação de tal forma que fico pensando em tudo que vi por dias e dias, nas fachadas das casas, nas ruas e em como era a vida antigamente.
Visitei Petrópolis nessas férias. A cidade não é lá essas coisas, Ouro Preto é muito mais conservada, mas o Museu Imperial e algumas ruas do centro histórico me fizeram viajar.
O Museu Imperial está instalado no antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II, e como contam por ali, era sua residência favorita de verão. Trata-se de um prédio em estilo neoclássico cercado de um jardim majestoso, andar nesse jardim com os olhos do coração abertos é como reviver a época do Império e conhecer um pouco mais sobre os gostos de Pedro IIEsse palácio humilde, se comparado aos demais reinos do velho mundo, foi cenário de grandes feitos da história do nosso Brasil, mas foi palco de muita coisa que não foi contada, afinal, uma família viveu ali. 
E foi nessa atmosfera de volta ao passado que assisti ao espetáculo Som e Luz, uma maravilhosa apresentação de iluminação e sonorização que transporta os expectadores para o Brasil Imperial, que narra além do glamour da coroa, a trajetória do Império com foco na figura do Imperador e da Princesa Isabel como pessoas comuns, de carne, osso e sentimentos, e foi assim que eu os vi durante o espetáculo. 
Enquanto a narração me guiava pelo jardim, simulando a subida da serra para chegar à Petrópolis, o caminho a ser percorrido esta todo iluminado, cheio de magia, e eu me senti como se estivesse sido realmente convidada para a festa. Ao chegar  na frente do Palácio, ele estava todo iluminado, como se estivesse realmente pronto para a festa. Inclusive, é possível ver, através das janelas, as silhuetas de Dom Pedro II e seus convidados. Era como se todos estivessem lá de fato, toda a família real e a corte brasileira.
Logo em seguida, uma nova surpresa, uma cortina d'água, posicionada no lado oposto à fachada do palácio, transformou-se em uma tela em que foram projetadas cenas da história do Brasil Imperial, de fofocas entre duquesas e condessas às questões mais perturbadoras e crises pelas quais o Imperador passou durante sua vida. 
Foi uma experiência maravilhosa e confesso que me emocionei muito frente à um Dom Pedro II que meus professores de história não me mostraram, um homem que foi obrigado a amadurecer antes do tempo, que se casou com alguém que não conhecia, como muitos homens daquela época, e que tinha um grande amor por esta terra que o pertenceu. Apesar de todos os elementos nada nobres de uma monarquia, o Imperador que me foi apresentado nesta noite conseguiu tocar minha imaginação e eu tive pena de sua vida cheia de protocolos, rótulos e dores e, porque não, sonhos... 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Equilibrando pratos

Demorou mas voltei! Da última vez que eu escrevi eu estava prestes a sair de férias e hoje, três semanas depois, estou aqui prestes à voltar ao trabalho. O que posso dizer sobre isso? Nadinha, apenas que a vida segue e que tudo tem seu tempo. Descansei bastante, viajei, vi muitas coisas legais por aí, outras nem tanto, vivi bons momentos e agora estou pronta para retornar à minha rotina, afinal a vida não está fácil para ninguém...
Parece que foi ontem que escutei Boas férias, Amelinha!, mas já está quase acabando e posso dizer que aproveitei cada minuto desse tempo que tirei para desligar os meus pensamentos e realinhar minhas vértebras. E todos os planos de arrumação de gavetas e limpeza de guarda-roupas se foram de verdade, não fiz nada, absolutamente nada em casa e curti um ócio criativo da melhor qualidade: Assisti vários filmes, li alguns livros e textos, escutei música (fazia tempo que eu não curtia uma playlist a la Coisas da Amelinha) e isso foi muito bom... 
Apesar de saber que não sou e (acho que nunca serei uma madame) e que jamais poderia viver uma vida de total Ócio Criativo em todas as tardes dessa vida, o que posso fazer é aproveitar melhor os meus momentos de lazer e equilibrar melhor os pratos dançantes da vida louca que levamos atualmente.
É tanta informação que enquanto estamos descansando, estamos ao mesmo tempo, checando e-mails, conversando com os amigos, assistindo o seriado preferido e tentando relaxar... Infelizmente são tarefas nada complementares e o que precisamos é escolher que pratos serão quebrados nessa dança. 
De vez em quando um pratinho de vidro da organização da casa cai, outro pratinho de cerâmica barata das interações virtuais se espatifa, mas os pratos mais valiosos desse balé, aqueles mais delicados e valiosos que representam nossa saúde, nossa família, amigos verdadeiros e nossa conexão com o Deus, esses não podem cair. De vez em quando eles até dançam em um ritmo diferente e podem até quase case cair, quase, mas não vão cair. Nunca vão cair. 
E depois desses dias de descanso, ouso dizer que eu preciso que o prato da minha sanidade, uma louça delicada e também muito preciosa, continue dançando, assim como os pratos da minha espiritualidade, da minha família e amigos. Para todo o resto, damos um jeitinho e seguimos nessa dança. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Saudades Lusas

Neste domingo sem sal e nem açúcar, eu acordei com saudades de duas mulheres: de Lisboa e de mim. 

Saudades de Lisboa pois ela é menina e moça, cidade, mulher da minha vida e saudades de quem eu era quando morava lá.

Se já é difícil se apaixonar por alguém, imagina por uma cidade. Qualquer cidade que a gente vá, irá despertar alguma coisa em nós. Temos que andar pelas suas ruas para descobrir tudo que ela pode nos dar, todos os seu sons, suas praças e seus cheiros. Depois de descobrir um pouco de Lisboa e dos lisboetas, eu me peguei sentindo saudades de mim e de quem eu era nessa época. Não estou cá a dizer que o meio faz a pessoa, mas que ele ajuda um cadinho ajuda. 

Achei engraçado sentir saudades de mim, pois esse sentimento foi a confirmação de que eu mudei e incorporei Lisboa no meu eu. 

Um conselho que ouvi de uma pessoa importante para mim foi 'deixa para sentir saudades quando estiver velha, agora é hora de viver!'. Sábio, mas quando a saudade vem ela não avisa quando vai embora. Somos feitos das nossas lembranças, e existem algumas saudades que eu gosto de ter. Sentir saudades de uma cidade é sentir saudades de tudo que ela desperta em você. E quando a saudade lusa aperta, só um fado sobre esta mulher pela qual eu me apaixonei, para amenizar a saudade. 

<3 



A Casa da Árvore

Guarde isso pois vamos precisar: quebra de paradigma e acreditar.

Este sábado fui conhecer a Casa da Árvore, uma 'escola' ou uma comunidade livre ensino que completou 2 anos. Nessa escola não existe professor, e sim membros da equipe. Não existe uma sala de aula convencional, existem espaços para o conhecimento. Não existe série, os alunos de todas as idades convivem entre si. Neste lugar, não existe um cronograma a ser seguido nem avaliações, porque acredita-se que o aprendiz (não é aluno) busca o conhecimento, surge nele a vontade de conhecer, quando esse interesse é manifestado, ele juntamento com um membro da equipe irão pesquisar sobre o tema e, principalmente, descobrir qual a melhor maneira de aprender o tema, já que existem várias maneiras de aprender. 

Para o funcionamento do espaço existem as regras da casa que são entregues para todos e também fica disponível na casa. Os aprendizes chegam e decidem o que vão fazer no dia, os membros não podem sugerir os temas. Tudo que acontece no espaço é compartilhado entre todos, que realizam uma Assembleia Geral para decidir sobre todos os assuntos da casa e a decisão é feita de forma democrática pois todos, tanto membros como aprendizes possuem um voto. 

Parece a escola dos sonhos, pois é completamente diferente de todas as escolas regulares e tradicionais (que é a maioria). Nessa escola, o aprendiz é totalmente responsável por si e por suas escolhas, eles estão livres para desenvolver suas habilidades com o auxilio dos membros.  

No inicio, eu tive uma dificuldade para compreender a filosofia da escola, pois ela é completamente diferente do modelo de ensino na qual eu estudei e eu ainda estava pensando dentro da estrutura do sistema. Por isso que eu falei sobre quebrar paradigmas, não tem como compreender esse novo modelo de ensino se estivermos presa no ensino tradicional. É necessário abrir a mente e além disso, acreditar que os aprendizes farão as escolhas certas para eles. 

No decorrer da conversa, surgiram várias perguntas, algumas pessoas achavam que seria uma opção deixar a crianças nesse espaço, como algo complementar. Tudo bem, sem problema, mas a ideia é que Casa da Árvore seja o ensino regular para a criança. Outro ponto foi a idade, na Casa eles recebem de 4 a 18 anos. A convivência entre eles, ao contrario do que dizem, não gera brigas e quando gera, eles resolvem entre si e os mais velhos estimulam os mais novos. E por fim, a campeã das perguntas: e o ingresso no ensino superior? A Casa da Árvore possui alunos muito jovens, mas a escola modelo Sudbury, e quem quer passar no vestibular passa em mais de 80% dos casos. 

O mais revolucionário desse modelo de estudo é que ele leva ao autoconhecimento, gerando seres humanos mais decididos, que sabem como eles aprendem e que também são responsáveis pela próprias escolhas. 

Aqui embaixo eu vou deixar o link da Casa da Árvore e uma entrevista com os membros.

http://www.comunidadecasadaarvore.org/#!about/cjn9





sábado, 20 de fevereiro de 2016

Viver Bem

Essa semana, vi muita gente discutindo nas redes sociais porque algumas mulheres não querem ter filhos. E ai os argumentos contrários foram vários, desde 'isso não é natural' até 'você vai se arrepender' e ainda 'quem vai cuidar de você quando você ficar velha?'. 
Fora isso, ainda vi muita intolerância com relação ao casamento gay e ainda contra a adoção de gays ou adoção de pais solteiros. Nem vou perder tempo citando aqui os argumentos contra. 

Tenho a seguinte ideia 'Você é livre'. 

Desde que não perturbem, o que eu desejo, do fundo do meu coração, é que você seja feliz. Se você vai ser feliz se casando com uma pessoa do mesmo sexo que o seu, faça uma festa e me chame! Celebre o seu amor. Se você quer adotar um filho mas não tem um parceiro, a pergunta que deveria ser feita é 'você vai ser um pai? Ou uma boa mãe? Vai dar condições e afeto para esse ser desenvolver plenamente?' 

Se você vai ser feliz não tendo filhos, porque você simplesmente não contempla a maternidade ou a paternidade ... a vida é sua. Não tenha filhos. Eu vou ter os meus filhos e vou ser feliz. 

Viver bem é muito mais simples do que imaginamos. E felizmente, cada um tem uma percepção do que significa. Viver bem passa por um auto conhecimento, para saber o que nós queremos e depois de descobrir, seguir esse caminho para que possamos, viver bem e feliz. 

O Flávio Gikovate, nos dá dicas do que é viver bem. Além do auto conhecimento, devemos nos livrar  de algumas ilusões. Confira no vídeo a seguir:  


Desejo toda a liberdade para você viver bem e ser feliz. 


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Cortiça

Hoje pela manhã descobri que cortiça é feita com a casca de uma árvore (e eu fiquei chocada, eu sinceramente não sabia qual era a matéria prima delas). O que é uma ironia do destino, pois a árvore é o sobreiro (parente do pinheiro) que é uma árvore típica de Portugal, terrinha onde já passei um período da minha vida. 


Faço coleção de rolhas de garrafas e todas possuem um valor estético e afetivo, pois marcam momentos compartilhados com boas bebidas e boas comidas. Elas fazem parte da decoração da minha casa. Eu as deixo num vaso de vidro assim:


Depois da minha descoberta, procurei por mais ideias legais e as pessoas são criativas: murais, quadros, porta lembretes, etc. Se procurarem no google vão aparecer várias opções.

Enfim, hoje o post foi meio bobinho, mas é isso.
:)


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Verso da Prosa

O Verso da Prosa: Podcast de Literatura é um projeto que vai discutir principalmente livros que caem nos diversos vestibulares do país, começando pelos livros da UFU.

Me considero suspeita para falar de podcasts, eu gosto muito e costumo dizer que é a nova maneira de ouvir rádio. Falar sobre literatura é algo divertido e profundo, se tratado com seriedade. Nesse podcast em especial, no episódio 1, fiz uma participação especial.

São várias maneiras de aprender, escutar um debate é um exemplo MAravilhoso. Espero que vocês se divirtam e aprendam muito. Para ouvir clica no link aqui em baixo



Não dá mais para tanto esperar

Descobri a música que define o que é esperar por um amor:

A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora
A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio

Tô te esperando de ponta cabeça, junto com o prego e o relógio.


O Tempo Presente

Olá pessoal!

Espero que eu não seja a única que estava com saudades de escrever (e ler) por aqui :)
Bem, para o meu primeiro texto da semana, um pouco atrasado, quero compartilhar minha atividade de segunda-feira a noite. Vi pela sétima vez o filme do meu querido Woody Allen 'Meia Noite em Paris'.

No filme, Gil sofre o seu presente e acredita que os anos 20 em Paris é a verdadeira Época de Ouro. Depois das viagens no tempo, no final do filme, Gil tem um insight e conclui que: 'o presente é insatisfatório porque a vida é insatisfatória.' E assim, ele muda completamente sua vida.

E me ponho a pensar sobre o tempo e o tempo presente. Alguns dizem que é uma dádiva, por isso carrega este nome. Pensar sobre o tempo é algo relativo, pois o tempo, apesar de ser o compositor dos destinos e tambor de todos os ritmos, ele é percebido de diversas formas. Porém, o tempo presente transita entre o passado e o futuro.

 Yoko Ono tem uma frase que escuto desde pequena 'O ontem pode ser eterno, o hoje pode nem se sentir e o amanhã pode nunca chegar.' É uma frase que carrega todas as temporalidades e possui um significado enorme. O ontem, um dia foi um 'hoje' e algo o tornou o eterno. Foi a vivência plena desse dia, cheio de sentimentos e sensações que marcam. Se por vezes não sentimos o 'hoje' é porque esquecemos, ou estamos atarefados com a correria da vida. E o amanhã é mistério, realmente ele pode não chegar.

O nosso presente é feito de escolhas. Recorrer ao passado para saber qual a melhor decisão para nós, assim como fez Gil, é algo natural. Aceitar o tempo presente é saber que muitas vezes não teremos as condições que queremos para realizar nossos desejos, por isso o presente pode ser insatisfatório. Insatisfatório no sentido de que nem sempre teremos uma resposta certa para o nosso presente.

Existe aquele velho ditado, 'o tempo cura tudo'. Com passar dos anos, percebo que isso é uma grande verdade. Não há uma coisa que não passe pelo tempo. Apesar da memória ser a única capaz de vencer o tempo, este é capaz de nos apresentar três perspectivas para a vida, o passado, o presente e o futuro. O embrulho do nosso presente é feito pelas nossas mãos.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Domingo

"Hoje é domingo
Pede cachimbo

O cachimbo é de barro
Bate no jarro
O jarro é de ouro

Bate no touro
O touro é valente
Machuca a gente

A gente é fraco
Cai no buraco
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo"

Só porque hoje é domingo, dia do senhor, do sol e do descanso.
E atenção,  domingo PEDE cachimbo...


Magritte, Ceci n’est pas une Pipe, 1929. ( Da série "A traição das imagens")

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Como definir a amizade?


"É muito difícil descrever a amizade..." Sim, concordo plenamente... para mim, é mais fácil senti-la e de acordo a Flávio Gikovate a amizade é a "relação afetiva, talvez mais madura que exista"... sigo concordando plenamente. Porque de tudo que fiz até hoje, os meus amigos são a minha maior aprendizagem, o meu maior orgulho, a minha maior admiração. E já posso dizer a cada um que foi uma honra tê-los conhecido...
Tenho um alicerce: mãe, primas, amigas de infância que cresceram comigo e estão aí até hoje, para tudo, simplesmente tudo na vida, essas são o chão, o colo, a força, o infinito de estrelas...
Depois veio a faculdade, colegas muitos, mas hoje, já passados doze anos, amigos ficaram, minhas lembranças mais inspiradoras, a juventude em amor, conselhos, bebedeiras, filosofias e sonhos...
Logo o amor amigo, ainda que amigo, o meu amor, o meu bem, a minha paixão... 
No mestrado, amigos sensatos, eloquentes, sintonizados, incríveis...
Logo na profissão, amigos alunos, alunos amigos, daqueles sorrisos que te dão certeza que para ser professor, primeiro vem o coração, depois o coração... 
E creio que, de onde se anda com o coração e um sorriso sincero, muitos amigos virão, podia até contar meus amigos em quantidade e olha que sorte, seria mais que os dedos das mãos, mas meus amigos... caramba!! São amigos de qualidade e esses valem os meus dias.
Hoje, jantei com 4 amigos lindos, que me fazem crer que 
No fim das contas, o que chamamos comumente de amigos e amizade são apenas relações e familiaridades ligadas por algumas coincidências e comodidades, pela maneira que nossas almas cuidam umas das outras. Na amizade da qual falo, elas se misturam e se confundem em uma mescla tão universal que elas apagam e não encontram mais a costura que as uniu. (Montaigne em Sobre a amizade)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Experimentar

Submeter-se à experiência... Esse será minha ação esse ano, pois dizem que em períodos de crise (seja ela global, emocional ou espiritual) há que ser criativo, e isso venho tentando, buscando assim novos horizontes, novas perspectivas, antigos sonhos e boas oportunidades.
Eis então, que sou brindada com um mês de aulas de flamenco (um antigo sonho), esse baile tão incontestável, pleno de força, histórias, batidas e expressões. 
E fui lá hoje, na minha segunda aula, ainda bem descoordenada e desengonçada, mas a sensação de se estar fazendo tudo certo é estimulante, mesmo que seja bem complicado os taconeos, as pasadas, o floreo para mim ainda, sei que estou criando, me recriando, fazendo o que faz o coração feliz, o que te deixa com o sentimento de que aquilo é seu, é o seu cuidado, o seu amor para com você mesmo e sua vida. 
Experimentemos, se de tudo não der certo, valeu a sensação de estar seguindo seu coração....
Foi quando vi esse filme, que decidi que um dia experimentaria o Flamenco...


Bodas de Sangre, 1981, filme do cineasta espanhol Carlos Saura, inspirado na obra homônima do poeta espanhol Federico García Lorca.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Café amargo

Há vários dias tenho uma música que não sai da minha cabeça, principalmente, quando tomo meu café amargo, aí vem esse refrão:

"Todo dia de manhã enquanto eu tomo meu café amargo..."

Música de Marisa Monte, cantora que eu gosto muito, mas que há muito tempo não ouço.... O título da música é "Não é fácil"... Penso que muita coisa não tem sido fácil, principalmente enquanto tomo meu café, que eu adorooo amargo. 
A sensação de colocar minha bebida preferida na boca e ao mesmo tempo ter um tempo para pensar em coisas da vida, é uma paradoxo emocional, primeiro porque penso que o café é uma bebida libertária, ele te liberta do sono inexplicável, das horas cansadas, da rotina, do momento passado. Traz em si uma certa ritualidade, seja acompanhado ou sozinho, e quanto se está sozinho ele te liberta porque ele te cala, e aí vem... o pensamento.
 E às vezes não é fácil lidar com os pensamentos...


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Todo es perspectiva

Disponível em: https://www.facebook.com/porliniers/?fref=photo


Quando caímos, é por que fracassamos? E quando nos deixamos cair, é por que desistimos?
Não! Para mim, tudo é e tem sido uma questão de perspectiva... Perspectiva, isso!!
Se nos tombos da vida, ou nas introspecções forçadas ou voluntárias aprendêssemos que tudo tem uma perspectiva positiva, tropeçaríamos mais, arriscaríamos muito mais, e portanto, contemplaríamos o que é verdadeiramente necessário.
Não estou fazendo apologias depressivas ou fracassadas, só acho que quando baixamos a guarda, recuamos, descansamos ao pé de uma árvore e experimentamos seu fruto, seguimos melhor adiante.
Tudo é perspectiva, nem sempre boa, concordo, mas é aí que entra os bons olhos, os olhos da alma, do auto-conhecimento, da paciência e do crescimento.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Balanço

Hoje, terça de carnaval, balancei...
Não foi nem um folião, nenhuma ressaca, nenhum axé...
Foi em um balanço de verdade, daqueles que só minha infância havia visto.
Na chácara de uma querida família, minha família também, pude experimentar a sensação de balançar novamente depois de alguns anos. Pode até ser que eu tenha balançado nos últimos anos, mas a sensação do frio na barriga, do ir e voltar, das pernas sendo meu impulso, há muito eu não sentia... do medo do balanço despencar, de querer contemplar o céu e descobrir copas de árvore, ahh... isso foi sublime.
E ainda, estava comigo uma amiga de infância, daquelas que cresceu junto e cresce ainda, daquelas amigas que acompanham o balanço da vida.

Foto: autor desconhecido

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Mudar, uma ação legítima

Sei que minha parceira de blog e querida amiga Lú, já escreveu sobre esse tema tão pertinente e urgente na nossa sociedade, porém não me eximindo da repetição e evitando o caráter doutrinário do tema, volto nesse assunto partindo de uma conversa com um casal de amigos, na qual constatamos que todos estão procurando por uma mudança.
Assim aumenta o consumo de alimentos orgânicos, uns se dizem vegetarianos, outros são fitness, alguns são adeptos do budismo, outros defendem a ecologia, uns viajam o mundo, outros deixam postos milionários em busca de sossego, muitos praticam yoga, outros tai-chi, alguns se tornam voluntários, outros comunitários... enfim, mudanças que eu admiro e creio ser essenciais, mas a questão é: quantos praticam a mudança legítima? 
Aquela mudança que não desiste em nenhum momento, aquela que não hesita em ser sincera e fazer de cada dia um objetivo cumprido, aquela que pode inclusive mudar de ideia, mas muda. Aquela mudança que não titubeia, que não se faz somente nos templos, nas ruas ou nas academias, mas se pratica em casa, com o seu pensamento solitário, com sua quietude, com suas vontades, no seu íntimo... Pois para mim, MUDAR é silenciar, silenciar sua voz, seus preconceitos, seus julgamentos, suas indisposições... Aceitar que você só pode mudar a si mesmo, e portanto para que você mude, não precisa que sua religião ganhe o seu amigo de adepto, ou que a maneira que você coma seja a mais saudável. Mude o que não é bom pra você e tenha em mente que sua mudança pode ser um presente para o mundo, mas nunca se tratará de que o mundo tenha que mudar... Só basta que você MUDE!!! 
Na minha busca diária pela mudança (que creio não ser legítima ainda), encontrei na página de um escritor, que pouco conheço, mas muito admiro, Mia Couto; um poema, de um autor que desconheço, Edson Marques. Nesse, ele diz:

"Mude

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.O novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.

A nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!"

Hoje sentei em uma cadeira diferente, do outro lado da mesa, para jantar!! E é assim que penso, todo dia, verdadeiramente MUDAR... 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Qual o tamanho da sua mente?

Me lembrei hoje de uma frase, atribuída ao Einstein, que diz mais ou menos assim: uma mente que se abre para uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original. É uma frase interessante, mas pensando bem, acho que existem mentes de todos os tamanhos, algumas podem se alargar e preencher-se do novo, outras são grandes o suficiente para buscar novos horizontes a cada dia, mas existem também as pequenas, rígidas e haja o que houver, não conseguem abrir espaço para o novo. 
Mentes grandes e infladas são insaciáveis! Fazem de seus portadores seres insuportáveis que julgam estar além de tudo e de todos. E estão sempre buscando o sucesso, o destaque, o pódio. Elas querem brilhar e buscam esse brilho a todo custo, podendo inclusive ofuscar de propósito quem estiver por perto. 
Mentes pequenas e rígidas, ao contrário das mentes infladas, pensam que estão abaixo de qualquer parâmetro. Querem e tem o suficiente e quando alguém sugere uma nova experiência, a resposta é sempre a mesma: "isso não é para mim" ou "eu já faço desse jeito há tanto tempo..." 
Para alegria geral da nação mentes  pequenas, mas elásticas, expansíveis, estão conquistando seu espaço. Elas conseguem tirar o melhor do pior e buscam novas experiências com um único objetivo: a evolução. Evoluir como pessoa, como profissional, acumular conhecimento e memórias. Para elas o ser é muito, mas muito, mais importante que o ter.  
É preciso respeitar as diferenças, mas não se acomode! Se sua mente estiver inflada, estoure essa bolha, você vai se surpreender com o que existe à sua volta! Agora, se estiver muito pequena, endurecida, olhe à sua volta, perceba o quanto o mundo é grande e cheio de possibilidades.
Mas se você tem uma mente pequena, mas elástica, parabéns! Continue sua coleção de memórias e experiências, a vida é uma viagem deliciosa e a bagagem precisa ser leve e cheia de amor. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Boas férias, Amelinha!

Enfim, hoje é o meu primeiro dia de férias! Acordei cedo, saí para fazer compras, almocei em um restaurante caseirinho aqui perto da minha casa, fui fazer as unhas e... fiz muitos planos para as férias. Fiz tantos planos que acabei ficando exausta só de pensar. Serão apenas vinte dias e eu consegui preencher quase todos com muitas e muitas atividades, incluindo programas domésticos como arrumar armários e limpar gavetas. 
Pensei bastante sobre isso e cheguei a conclusão de que isso não está certo! Férias são férias e eu preciso sair da rotina de verdade, mudar o padrão e tirar férias de tudo e, se eu pudesse, tiraria férias de mim mesma. 
Não que eu não goste de mim ou da minha própria companhia, o que eu não gosto é do fluxo dos meus pensamentos, dessa minha mania de controlar tudo e de ter o mapa de todos os tesouros do dia a dia. Acordar todo dia e ter uma lista de tarefas a serem cumpridas (e cumpri-las) é bem legal, mas as surpresas de viver o que está fora da lista é maravilhoso! 
Então está decidido! Vou tirar férias de mim mesma. Como? Fazendo tudo que eu não faria normalmente e a primeira mudança é não fazer planos para os próximos vinte dias. Vou cumprir com os horários que já estão marcados no dentista e fazer alguns exames, mas a regra a partir de agora é acordar e ver o que tem de bom para fazer.
Agora eu preciso ir, mudei os meus planos, tinha planejado terminar umas costuras e recortar alguns moldes, vou ver um filme bem a minha cara e ficar sem fazer ou pensar em nada para me acostumar com esse novo direcionamento: Todo dia um dia novo, inteirinho para mim. 
Gostei! Boas férias, Amelinha! 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No balanço dos dias

Eu adoro os textos da Martha Medeiros, ela escreve coisas tão simples, mas tão sinceras. Me identifico muito com seus textos, claro que não em tudo, mas grande parte de suas reflexões parecem narrar a vida da maioria das mulheres, inclusive a minha. Ela escreve sobre nossos medos e inseguranças (que parzinho inconveniente!), nossas experiências e, principalmente, sobre a forma de enxergarmos o mudo.
Hoje li um poema dela que dizia: "Sou uma mulher madura que às vezes brinca de balanço / sou uma criança insegura que às vezes anda de salto alto". Me identifico totalmente com esses versos. Ah, e só para deixar claro, mulher madura no bom sentido, afinal só tenho trinta e poucos aninhos, mas que já me dão uma certa autoridade para falar sobre o verbo viver. 
E que verbo! Sua conjugação é muito complexa, requer muita disciplina e vontade de conjugá-lo e, digo mais, conjugar esse verbo sem vontade é como cometer um lento suicídio. Afinal de contas, suicídio é desistir de viver.
Mas voltando ao poema, uma mulher madura que às vezes brinca de balanço... essa sou eu. Mas eu retiraria a expressão às vezes. Prefiro brincar de balanço sempre! Fechar meus olhos e me deixar levar no balanço dos dias, das horas, sonhando com meus planos e sonhos... Mas, nesse momento vem a segunda estrofe: sou uma criança insegura que ás vezes anda de salto alto. E não só insegura. Tímida, medrosa e muitas vezes omissa. 
Sei que posso fazer melhor, mas é tão difícil falar quando é mais confortável (ou menos arriscado) ficar em silêncio. E nessa situação os planos feitos em silêncio não são compartilhados e podem ser esquecidos…
Mas uma coisa é certa: Deus estará ao meu lado no sucesso ou no fracasso e, aconteça o que acontecer, o balanço ainda vai estar lá e o verbo ainda tem muito a ser conjugado.
Tenho muito a dizer, mas por enquanto eu eu prefiro voltar ao meu balanço e continuar sonhando... 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Melhores amigas de sempre e para sempre!

Hoje pensei em todas as minhas melhores amigas com grande saudade. Penso nos amigos também, mas as amigas… ah! essas são especiais! Com elas compartilhei muitas coisas em várias fases da minha vida, na infância, na adolescência, na faculdade, hoje em dia… e tive colo e ombro em muitos momentos: os felizes, os mais ou menos, os que me fizeram chorar e, principalmente, os que precisei de coragem. 
E em todos esses momentos e em muitos outros, elas estavam lá. Foram e ainda são poucas, mas tenho certeza que são as melhores amigas que eu poderia ter.
Perdi o contato com algumas, outras casaram, outras mudaram, outras casaram e mudaram e algumas continuam no mesmo lugar. Mas, apesar da distância geográfica ou circunstancial, elas continuam sendo muito especiais.
Queria ter mais tempo para me dedicar de um jeito especial à cada uma, mas a vida é tão corrida, nem sempre dá tempo para um telefonema ou aparecer para uma conversa. 
De qualquer forma, meu coração é grande e todas estão bem guardadinhas nele. Sempre penso com carinho em cada uma, peço a Deus que as conduza e cuide de cada detalhe de suas vidas e espero vê-las em breve, para  compartilharmos boas notícias e muitas risadas, como melhores amigas, de sempre e para sempre!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Costurando a vida

Toda quarta-feira eu acordo bem animada, porque é o dia da minha aula de costura. Sim, eu faço aulas de costura há quase um ano e amo! Quando digo que gosto de costurar metade das pessoas ficam admiradas e até admitem que gostariam de aprender a fazer suas próprias roupas e a outra metade me olha como se eu fosso um ser de outro planeta... não me importo, afinal, fazer o que todo faz e gostar do que todo mundo gosta nunca foi o meu forte.
Mas falando sobre costurar, essa atividade semanal tem me ensinado algumas lições ao longo desses meses. No início eu chegava em minhas aulas portando um arsenal de guerra, vários tecidos, revistas, aviamentos e até um caderno com croquis que eu mesma desenhava. Queria fazer um guarda-roupas completo em apenas três horinhas de aulas, míseras quatro aulas por mês. Eu tinha planos para fazer roupas em série, vários modelos, várias cores, muitas peças e todas feitas por mim com amor (eu julgava ser com amor...). Tenho certeza que a professora me olhava com pena e previa que minha ficha cairia um dia, podia demorar, mas um dia ela cairia. E caiu. Percebi que com aquele entusiasmo todo eu não iria aprender a costurar (com amor), eu montaria uma oficina chinesa de trabalho escravo.
Costurar com amor é outra coisa e requer muito mais do paciência e dedicação. É preciso ter consciência e estar de corpo, alma e coração. Só assim podemos aprender de verdade e fazer o amor durar, porque vida costureira não é fácil!
Costurar é um processo minucioso onde é possível perceber a importância de cada etapa para então se deliciar com a sensação de costurar o “vestido mais lindo do mundo”! É necessário planejar todos os detalhes do feitio:  tirar as medidas, modelar, riscar em papel, cortar o tecido, costurar (desfazer muitas vezes) e passar a ferro. Passar a ferro é importantíssimo! O vestido não fica pronto até você usar um ferro bem quente, tirando todas os amarrotados e pequenas imperfeições. O calor deixa tudo impecável, como na vida. Rubem Alves mesmo disse sabiamente que “...a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente”.  
Costurar me fez muito bem e tem me ensinado a cada aula que é preciso respeitar o tempo de cada etapa, inclusive na vida e que é preciso fazer as tarefas com c(alma), para fazer bem feito. Ah! E o mais importante, que o acabamento, o toque final da costureira, faz o coração de quem usa uma peça costurada com amor bater mais forte, o importante não é terminar uma peça, é terminar o “vestido mais lindo do mundo”!
Hoje sei que estou costurando com amor e com muita vontade de ser uma pessoa melhor, não melhor do que ninguém, mas melhor para o mundo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Depois da tempestade

Acho que estou de TPF. Sim, TPF. TENSÃO PRÉ FÉRIAS.
Apesar de estar muito feliz, pois terei três maravilhosas semanas para descansar e fazer muitas e muitas coisas sem compromisso com o meu relógio, mas totalmente comprometida com a minha felicidade, nos últimos dias estou totalmente sobrecarregada.
Isso me faz pensar em um ditado popular bem conhecido: Depois da tempestade vem sempre a bonança. Será mesmo?
Para mim, depois da bonança também pode vir a tempestade. A vida é um ciclo, uma alternância entre altos e baixos e a linearidade cotidiana muitas vezes produz desinteresse pela vida. Então, a bonança e a tempestade podem nos ajudar a valorizar verdadeiramente a vida. Apreciar os bons momentos fazem com que nossa vida seja preenchida de boas recordações e os momentos difíceis também merecem atenção, por mais que as lembranças não sejam tão agradáveis, produzem lições valiosas e é por meio das tempestades que aprendemos a reconhecer a bonança do dia a dia, como o amanhecer, o bate papo entre amigos ou coração saltitante frente aos bens mais preciosos, quem amamos.
Bom, acho que o “F” da minha TPF não é sobre as férias, mas sobre a minha FELICIDADE. Os dias ruins podem vir, mas a certeza de dias maravilhosos nos embala e conduz ao melhor que o futuro nos reserva.

Todo dia uma nova esperança, uma nova alegria e, talvez, um novo aprendizado. E assim, vamos vivendo... 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Nas nuvens

Hoje eu estava navegando pelo Instagram e me deparei com o perfil de um artista plástico que me chamou a atenção, tanto pela qualidade de seus trabalhos, quanto pela descrição de seu perfil.
Os trabalhos postados são primorosos! Aquarelas, desenhos feitos à carvão e outras técnicas plásticas produzindo obras únicas, que encantam quem as contemplam pela sensibilidade do traço e pela maestria no uso das cores.
Nessa galeria virtual, um pássaro aquarelado prendeu meu olhar por alguns instantes, a mistura de cores e os pequenos detalhes gentilmente retratados fazem com que a imagem salte da tela e, na imaginação de quem a vê, crie asas e voe pelos jardins dos sonhos, nas nuvens, fazendo referência à descrição do perfil do artista, que se apresenta como um nefelibata.
Essa palavra tão áspera, que para mim, tem uma dureza própria de sua pronuncia, se contrapõe ao seu significado poético, leve e onírico:

nefelibata
ne.fe.li.ba.ta
adj e s m+f (gr nephéle+bates) 1 Que, ou pessoa que anda ou vive nas nuvens. 2 Que, ou literatos que são excêntricos, que desconhecem ou desprezam os processos conhecidos e o bom senso literário. 3 pej Que, ou pessoa que, dominada por um suposto ideal, não atende aos fatos da vida positiva nem às lições da experiência.

As nuvens são elementos presentes tanto em contos de fadas, quanto na alegoria religiosa própria do que é santo e divino, ambos alimentam de alguma forma a sede dos que são sensíveis às coisas que não se pode ver ou tocar. Os artistas se deixam conduzir pelo seu movimento e produzem obras primas, é das nuvens vem a sua inspiração; os religiosos creem que é de lá que vem o sopro Divino e é lá o lugar seguro e que abriga todos os seres de coração puro.
Tudo isso me fez refletir sobre a minha natureza nefelibata. Muitas e muitas vezes me pego sobrevoando outras terras, navegando em outros mares, até que o cordão que ainda me segura em terra firme me faz voltar ao meu lugar de origem (ou pelo menos onde construí minha morada). Aqui tenho pouso, tenho fortaleza, mas é nas nuvens que encontro combustível criativo e alimento a minha fé.
Acho que descobri uma nova descendência da qual faço parte, mas que até então não tinha conhecimento. Sou uma nefelibata.